martes, 14 de octubre de 2008

Ficando Vieja...



Nada de parabéns porque não é meu aniversário!
Mas percebi estes dias quão “velha” já estou, quantas mudanças, quanta coisa que ficou para trás, quantas pessoas se perderam no ar, quantas tenho saudades, quantas prefiro não ver, quantas não me lembro direito. Lembrei dos amiguinhos da escola primária, das briguinhas, dos parquinhos, dos recreios, do pique-pega, de minas... saudades!
Desde que cheguei na Argentina passei por várias situações, boas, ruins, estranhas... más nas ruins sempre pensava: “que diferença faz, daqui uns meses não estarei aqui mesmo...” e por muitas vezes pensar isso me deu um conforto. Mas ao mesmo tempo um vazio, vazio que eu não sabia explicar a ninguém (e ainda não sei).
O fato é que eu nunca soube tão bem o que quer dizer “efêmero” como sei agora. E certamente não é só pelas várias noites de leituras sobre Arte Contemporânea...
Só de pensar que estas reflexões só se tornaram palavras com um choque tempo-musical; quando um “chico” coloca Avril Lavigne para eu escutar e penso: “Há 5 ou 6 anos atrás eu gostava”. Estranho, completamente estranho; sou outra pessoa que acredita ser muito mais feliz agora ouvindo samba, samba-rock e derivados... Mas e daqui 5 anos o que será? A arte continuará efêmera? O que estarei fazendo? Na faculdade? onde no mundo? estarei no mundo?! E me desiludo de todas as questões, porque é tanta confusão ao meu redor... “um não sei o que”. A verdade é que não sei o que mesmo, por mais que as leituras me agradem, que me arrepie com arte, vem sempre aquela dúvida de para onde vou?!
Entoa quando penso para onde quero ir, muita coisa agora parece vago, aí me questiono novamente: “por que estou fazendo isso?” e não encontro uma resposta, embora busque alguma razão; mas tampouco quero largar tudo (embora muitas vezes dê realmente vontade!!).
Porque de alguma forma eu gosto. Eu gosto de ler e me irritar com alguns debates; eu gosto de fotografar, e que me perguntem com desprezo se o que faço é arte; eu gosto da saudade; eu gosto de olhar para o lado e pensar eu quero o Brasil; eu gosto de caminhar pelas ruas, sentar nas praças e sentir que não estou no Brasil; eu gosto que as pessoas não sejam as mesmas de sempre; eu gosto de querer “as pessoas de sempre”.
Mas eu gosto mais das dúvidas e de estar ficando velha, não apenas velha; mas aquele tipo de gente chata que não suporta “criancices” e que mesmo assim gosta do sorriso das crianças, quer rolar na grama, brincar com cachorrinhos, correr pela praia, tomar banho de chuva e fotografar...
Construir castelos, mesmo que de areia; já que tudo é tão efêmero mesmo...

ps: a foto é da praia de Necochea, fez bem um pouco de mar...

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